Conheça mais sobre a WWE internamente #2 parte

Olá, pessoas! Bem, na semana passada, um de nossos colunistas, o Legend Killer, publicou em nosso site uma matéria muito curiosa e interessante de um famoso blog português, o PTWrestling – no qual continha uma longa entrevista com um ex-membro da WWE. E agora, esta semana, o PTW atualizou sua postagem, acrescentando a segunda parte da matéria.

Um belo trabalho, muito bem apresentado, com dignidade e respeito. Abaixo, segue a 2º parte da ‘entrevista’, digamos assim. Se você ainda não conferiu a primeira parte, por favor clique aqui. Aviso desde já que o Post é ultra-longo, todavia, valerá a e pena ler, pois afinal, nos explica como funcionam as coisas dentro da maior empresa de Wrestling Profissional do mundo, a WWE.

#2 parte:

“O pagamento era 13 dólares por hora e ainda havia imensas horas-extra. Trabalhava 50/60 horas todas as semanas.

As entrevistas eram bastante típicas. Perguntaram-me sobre os meus empregos anteriores, o motivo de querer trabalhar na WWE, e certificavam-se que eu sabia das altas exigências daquilo em que me estava a meter. Não acho que um curso seria necessariamente suficiente. O assistente do outro escritor entrou porque tinha experência em televisão. Um deles, o mais velho, foi assistente pessoal do Howard Stern durante alguns anos. Outro tinha trabalhado no Maury. Outro para a ESPN. Eu tivera um estágio na CNBC quando estava na universidade, um documentário que é mostrado em todo o mundo – é melhor não dizer qual é – e tive algumas pessoas a falar bem de mim. E também fui contratado por um tipo que não fazia ideia de nada. Mas uma grande parte das entrevistas requer que se seja profissional, apresentável, carismático e tem de se agir de maneira a que as outras pessoas queiram trabalhar contigo.”

Se escondeu o seu fanatismo pela empresa quando foi entrevistado:

“Bem pelo contrário. Eu escrevi “fã da WWE desde sempre” no meu currículo e levei uma fotografia minha, com 10 anos, vestido como o Kane. Tive três entrevistas, e duas delas eram típicas de Recursos Humanos de corporação, com pessoas que não sabiam nada sobre o produto e que não sabiam quem era o Kane na fotografia, por isso ficaram só levemente agradadas. A terceira foi feita por um tipo que estava na equipa criativa ou algo do género na altura – e talvez tenha sido essa que os levou a contratarem-me. Porém, quando eu comecei a trabalhar, ele já tinha saído. E, daquilo que ouvi, ele era bastante incompetente e não sabia grande coisa sobre o produto. Por isso, talvez tenha sido por sorte que fui contratado.”

Relativamente a conhecer Vince McMahon:

“Sim, conheci-o numa ocasião. Estava a ir embora e “tropecei” contra ele nos elevadores. Estava assim um pouco à nora e soltei um “Olá, Vince!”, em vez de lhe chamar Mr. McMahon, mas ele pareceu não se importar. Apresentei-me como assistente do novo escritor e ele cumprimentou-me. Partilhámos um elevador e ele disse algo como, “Bem-vindo a bordo. Sabes que nós precisamos de muitas mentes inteligentes naquela sala de escritores.”, e eu disse “Sim, senhor”. Disse-lhe que era um sonho estar a trabalhar lá e que era fã desde os 6 anos. Isso fê-lo sorrir e soltar um “Obrigado”. E a partir daí, só o vi algumas vezes de relance no Survivor Series.”

Sobre a presença dele nos programas:

“Ele vai a todos os programas desde há muitos anos. Lembro-me de ver uma nota que dizia que ele poderia começar a não ir a todos os programas brevemente, e isso foi algo chocante. Não tenho bem a certeza, mas acho que o Triple H viaja sempre com ele. O Vince esteve muito perto de regressar à televisão, aquando da conspiração do Kevin Nash e da SMS, e até para enfrentar o Punk no Raw, mas mudou de ideias e decidiu continuar de fora.”

Sobre Triple H:

“Ele recebe muitas críticas imerecidas. Nunca o ouvi falar em mudar o rumo das histórias para receber mais atenção, ou em “enterrar” tipos porque tinha algo contra eles. Penso que ele nem liga a isso. Ele tem um trabalho diário no ‘Quartel General’ como cabecilha do departamento de Desenvolvimento de Talentos. Ele está lá todos os dias, com fato e gravata. As suas preocupações, hoje em dia, são com o desenvolvimento do talento da FCW e em chamá-los ao roster principal da melhor maneira possível. E quando o Vince tem uma ideia maluca, o HHH é normalmente a voz da razão nas reuniões. Quando estava lá, tinha a impressão que as histórias fazem muito mais sentido quando tem o Hunter à frente. A comunidade de wrestling online devia olhá-lo como um amigo. A única coisa que esteve selada era o planeamento do combate dele com o Undertaker na WrestleMania 28. E ai de quem dissesse o contrário a ele ou ao Vince.”

Como os escritores vêem os lutadores:

“Os escritores, por norma, não têm sentimentos fortes contra ninguém em particular, nem a favor. Eles são apenas personagens na ficção que eles escrevem, embora alguns tipos tenham reputação por serem fracos no ringue – como Mason Ryan ou Ezekiel Jackson. Porém, a opinião em relação aos outros são normalmente mistas. Por exemplo, eu nunca me importei com o Ted DiBiase, mas um dos escritores, por qualquer razão, gostava bastante dele. Contudo, no fim o que importa é fazer um bom programa. Eles apercebem-se que são responsáveis por servir todas as personagens no roster, com a primeira prioridade a ser aqueles que conseguem trabalhar as histórias e que conseguem vender. Por isso, quando o Barrett estava sem fazer nada durante um tempo – em Setembro –, chegou uma altura em que eles disseram, “Ora bem, não estamos a usar o Wade como deve ser”. Foi aí que nasceu a Barrett Barrage, o Wade conseguiu uma streak invencível e recebeu um push considerável, até sofrer a lesão.”

Angles que foram rejeitados ou largados:

“O primeiro que me vem à memória era quase uma piada. Com a divisão de equipas em tão péssimo estado, o Brian Gewirtz sugeriu pôr o Tyson Kidd com o Heath Slater, formando uma tag team chamada The Rock and Roll Kids. Nós rimos daquilo, mas ele até foi falar com o Vince. Ele não quis.

Houve uma breve discussão para algumas ideias mais malucas, como pôr o Mason Ryan como homossexual ou ter o Alex Riley a fazer uma história mais longa, onde ele dizia que tinha cancro, falsamente, para ter simpatia do público. Nenhuma das histórias foi a qualquer lado.

Era suposto que a Kaitlyn fosse a terceira diva das Divas of Doom, com a Beth e a Natalya. Eles até a fizeram fazer o turn na AJ num SmackDown, mas, devido ao pobre planeamento, o segmento foi mal feito. Nenhuma das três sabia ao certo o que fazer e aquilo saiu mal, por isso foi editado e nunca apareceu no programa. Tentaram fazer isso na semana seguinte, mas surgiu um drama qualquer com as divas no backstage, e isso levou a que toda a divisão voltasse a fazer parte da chamada Casa de Correcção na mente do Vince. Por fim, ele decidiu que não era necessário haver uma terceira diva heel, por isso acabou com a equipa pouco antes de decidir dar um push à Tamina.

A dissolução do Ziggler e do Swager foi pensada ao início, mas o Vince disse-nos para os manter juntos.

Havia conversas para fazer a Layla regressar com uma gimmick excêntrica, centrada na moda. Uma espécie de Lady Gaga. Obviamente, isso não aconteceu.

Quando o Punk estava a brincar com o Del Rio, tivemos a ideia de pôr o ADR a fazer uma promo, quando de repente alguém vestido como gelado aparece. O Del Rio assumiria que era o Punk e atacava-o, mas, ao rasgar o disfarce, via que era o Ricardo preso com fita-cola na boca; teria sido um esquema do Punk para arreliar o Del Rio. Não fazia muito sentido e nunca avançou.

Alguns de nós queriam que o Cody Rhodes fosse até ao extremo, que sofresse algum tipo de quebra psicótica, depois da máscara ter sido destruída. Que fosse um doido, como o Dean Ambrose é suposto ser. Em vez disso, ele passou a ser o normal heel Cody. Não sei porquê.

Havia planos para ter o Drew McIntyre e o Sheamus a brincar. O Drew ia ser o bully do Sheamus, com uma fotografia dele quando uma criança gordinha. Havia história entre eles, porque lutaram juntos no circuito independente. Porém, nunca foi para a frente.

O Hunico apresentou o Primo, o Epico e o Camacho e o plano inicial era para eles formarem uma stable. Todavia, o Vince estava preocupado que fosse algo muito “gangzado” e racista e separou-os rapidamente.

Quando eu saí, a ideia era para ter o Zeke perder constantemente de modo a fazer o turn. Não sei como ficou.

Havia a ideia de haver algo que distinguisse os Usos – um deles seria muito inteligente e o outro muito estúpido.

Eles também estavam a considerar fazer uma relação entre uma Diva babyface e um gajo heel. Falou-se em Kelly Kelly com Wade Barrett, mas nunca surgiu nada.”

Sobre conhecer estrelas e personalidades:

“Tive uma breve interacção com o John Morrison no backstage, no Survivor Series. Eu apresentei-me estranhamente, ao dizer que também me chamava John. Isto foi antes de ele sair, enquanto eu estatava constantemente com medo de ser despedido a qualquer momento. Ele disse algo como, “Um de nós não estará aqui dentro de algumas semanas!”, e eu disse, “Talvez dois de nós”, e ele disse, “Nah, não te preocupes. Tens um nome fantástico!”.

Também vi o Sin Cara sem máscara (spoilers: parece um tipo mexicano). Eu falo espanhol e, portanto, desejei-lhe boa sorte. Foi nessa noite que o joelho dele ‘explodiu’.

Cumprimentei o Mark Henry. A mão dele é uma enorme massa de músculo.

Estava a poucos metros do The Rock quando ele estava a fazer a promo de backstage no Survivor Series – completamente ao vivo. Havia um grupo largo de pessoas a verem-no fazer aquilo com espanto. As promos de backstage, normalmente, são gravadas durante os programas, mas o Rocky insistiu em fazer aquilo em directo para interagir com os fãs.

Pessoalmente, pela experiência que tive, o Punk é um pouco anti-social. Ele pode perfeitamente ser um tipo porreiro, mas não o chamaria de acessível.

Via o Michael Hayes com regularidade. Ele era engraçadíssimo. Uma vez, o Laurinaitis chamou-me ao escritório dele para falar de algo. Eu vi-o em algumas ocasiões e sempre foi porreiro. Ocasionalmente, aparecia na sala dos escritores para dizer olá.

Acho que o Undertaker esteve num Raw, no Texas, para dizer olá às pessoas. Estava careca e com uma espécie de barba de feiticeiro, longa e cinzenta. Estava à espera que seria esse o look para a WrestleMania.”

A sua experiência no backstage do Survivor Series:

“És encorajado a apresentar-te e a conheceres toda a gente. Porém, estava tudo tão caótico e estavam todos tão ocupados que eu estava muito hesitante em interromper a maioria. Aproximei-me daqueles que estavam por lá e que não faziam muito na altura. Disseram-me que, mesmo que eu pense que ninguém está a prestar-te atenção, isso é percebido quando falhas em apresentar-te. Com isso dito, cumprimentei muitos dos agentos, incluíndo o Goldust, Arn Anderson e o Bill DeMott, que me deu o sorriso mais simpático e cativante que podia imaginar.

Mas sim, há um monte de pessoas. Se fosse um Raw, ou um SmackDown, que até seria melhor, eu estaria mais disposto a interromper as pessoas, mas era um PPV dos Big Four. Pelo amor de Deus, o The Rock estava a passear-se pelo backstage. Havia tensão no ar.”

Sobre o angle de conspiração entre Triple H, The Miz e R-Truth:

“Era uma confusão e os escritores sabiam-no. Mas, a dada altura, eles tinham-se encostado à parede. Há alturas em que as ideias ganham vida própria e tens de fazer com que elas acabem, esquecer-te delas. E esta, definitivamente, era uma delas. Não me lembro se havia mais do que aquilo que passou para a televisão. Contudo, eu acho que os Awesome Truth eram muito animadores, e a sua aparição no Hell in a Cell foi fantástica. Quando houve aquele segmento do roster desistir do Triple H, não gostei porque não fazia muito sentido, mas deu para fazer duas semanas cativantes de televisão. Às vezes, o objectivo é só esse.”

Sobre o trabalho de John Cena:

“Quem disser que o Cena é preguiçoso, não sabe a primeira coisa sobre ele. O tipo é um cavalo de carga e um empregado-modelo. Quando ele diz que não muda por ninguém, está a revelar a sua personalidade. Não quer dizer que nunca passará a heel. No que diz respeito àquelas promos mais ridículas, milhões de pessoas gostam disso; portanto, a WWE não quer saber. E isto é apenas especulação, mas eu acredito que ele limitava o moveset no ringue para não correr riscos de lesão – visto que perder o Cena seria uma catástrofe para a WWE. Contudo, acho que ele tem estado melhor nos últimos dois anos ou assim do que nos últimos anos da primeira década de 2000.”

Em relação a quem se esforça mais pela empresa:

“Sheamus e The Miz. São dois tipos que estão dispostos a fazer qualquer coisa que a empresa lhes peça, dentro ou fora do ringue. Consegue-se perceber isso quando há um wrestler num talk-show ou a fazer alguma coisa de promoção; normalmente, é um deles. Eles são bons nisso e estão dispostos a fazê-lo. Tipos como o Orton ou o Punk nunca fariam isso.”

Relativamente à direcção PG:

“A WWE está sempre a procurar expandir-se. Eles querem ser uma empresa de media enorme, que faz filmes, que tem estação de televisão, etc.. E este tipo de expansão requer dinheiro. E fazer dinheiro é mais difícil quando há um segmento da população que pensa que o que fazes é lixo ou não é adequado para as crianças. As crianças são o ganha-pão da maioria das empresas de media.”

Como a empresa vê a TNA Wrestling:

“Não creio que haja alguém na WWE que pense muito na TNA ou que tenha tempo para se importar com o que fazem ou deixam de fazer. Eles não são competição a sério e têm uma introdução muito diferente ao wrestling do que a WWE. A WWE quer ser o mais sofisticada e profissional possível na sua apresentação. Eles querem ser grandiosos e mainstream, não recorrer a um dito nicho. Não estou a dizer que há algo de errado com o que a TNA faz, a WWE é que não faz isso.”

Sobre os smarks:

“Os smarks são vistos como uma minoria a quem, normalmente, não se dá importância – o que, do ponto de vista empresarial é verdade. As ditas “dirtsheets” são gozadas porque estão sempre erradas. A maioria das coisas que aparecem nos sites de fofoquices são agregados de comunicados e contas de twitter dos wrestlers. Uma pequena porção é especulação sobre coisas que ocorrem no backstage e a maioria disso é treta. As dirtsheets existem para atrair pessoas e há que fazer o que for preciso para tal – e isso inclui inventar coisas. Acho que, a haver mesmo bufos, coisas como a estreia do Brodus ou o retorno do Brock teriam sido spoiladas bem antes.

Eu acho que os escritores gostam de se agarrar às suas próprias ideias até à possibilidade de fazer dinheiro lhes inunde os ouvidos. Como, por exemplo, quando acontece de haver uma arena inteira a gritar “YES! YES! YES”!, eles aproveitam e fazem uma t-shirt nova. Mas, como disse, os escritores também são fãs de wrestling. Gostam de um bom combate do Tyson Kidd tanto como um smark qualquer, mas também sabem que colocá-lo, num Raw, contra um Heath Slater vai fazer com que os ratings desçam a pique.”

As fontes dos sites:

“Não faço ideia. Sempre pensei muito nisso quando estive lá. Não é, seguramente, da equipa de escritores. Podia possivelmente ser dos gajos do site ou pessoas da produção que ouviam qualquer coisa. A maioria das coisas são inventadas e uma valente treta. Muito raramente uma verdadeira história de backstage vem cá para fora. Quando se lê coisas como “o plano original era para fazer este e aquele a ganhar, mas uma mudança à última da hora mudou a situação”, isso é quase sempre completamente errado.”

Reacção dos escritores quando um heel é aplaudido e um babyface é apupado:

“Faz parte do negócio, penso eu. Os escritores sabem bem quais são aquelas cidades mais smarks e as mais marks, por isso têm uma ideia do tipo de reacção que certas coisas terão em certos sítios. Ocasionalmente, conseguem estar completamente enganados. Muitos deles estavam à espera que o Zack Ryder fosse tremendamente apupado no Survivor Series porque os nova-iorquinos não gostam dos de Long Island, mas estavam muito equivocados.”

Sobre as ideias más:

“Não sei nada sobre isso, porque nunca estava na sala quando ocorriam as reuniões com o Vince. Porém, se os escritores achassem que era uma má ideia, nunca a comentavam com o Vince. As más ideias que chegam à televisão, normalmente, provêm do Vince.”

Relativamente ao envolvimento dos escritores com a WWE Network:

“Eu até cheguei a dizer “Quem é que vai escrever e trabalhar naqueles programas todos para a estação, exactamente?”, e os meus parceiros não sabiam. Cheira-me que o plano era/é trazer novos escritores para trabalhar nisso – especificamente, uns que tenham experiência de produzir televisão. Mas, até este dia, não faço a mais pequena ideia de quem estava a trabalhar nisso. Havia muito aquela situação de a mão esquerda não saber o que a direita estava a fazer.”

Quem permanece desde a Attitude Era:

“O Gewirtz e o Ed Koskey. Não sei quando é que o Dave Kapoor começou, mas eles são os mais antigos. O resto está lá há menos de três anos. A maioria há menos de um.”

Sobre o NXT:

“É escrito todas as semanas por dois escritores, e eles têm basicamente caminho livre para efectuarem o que bem entenderem, daí terem tido tanta diversão com a novela que envolveu o Bateman, o Curtis e a Maxine. Lembro-me de haver pessoas a perguntar quando é que a temporada terminaria; a dada altura, o episódio 100, em Las Vegas, estava programado para ser o último – quando o Bateman e a Maxine se casaram –, mas continuou, por qualquer razão.

Não sei muito mais, mas a equipa de estrada que trabalhava no NXT estava sempre a reconhecer que o Bateman, a Maxine e o Curtis eram talentosos e tinham muito entusiasmo a fazer aquilo. Eles adoravam trabalhar juntos. Temos de pensar que, embora o NXT e o Superstars sejam somente programas online nos Estados Unidos, passam em televisões internacionalmente e, por acaso, até têm bons ratings em algumas partes do mundo.”

Sobre as Divas:

“As pessoas que mais se queixam são, provavelmente, as divas, e com todo o direito. Elas querem sempre ter mais tempo para aparecer na televisão e ter mais tempo no ringue, e eu não as posso criticar. O Daniel Bryan, como disse anteriormente, queixou-se bastante sobre a história com a AJ, mas aposto que agora não se lamente assim tanto…

Todas as divas me pareceram simpáticas e amistosas. Apresentei-me à AJ no Survivor Series. Ela era doce e apresentou-se como April. A Beth, a Natalya e a Alicia Fox passavam por mim ocasionalmente e sorriam e acenavam com a cabeça profissionalmente.”

Sobre Kharma:

“Quando fui para lá, a Kharma já tinha saído há uns meses por causa da gravidez, por isso não sei o que é que há planeado no longo prazo para ela. Lembro-me de ouvir sobre o aborto muito antes de ser notícia nos sites. Meses antes. Quando tentávamos saber sobre quando regressaria, a resposta era que, basicamente, estava ausente por problemas pessoais indefinidamente.”

Sobre Randy Orton:

“Não sei muito sobre ele. Tenho a impressão que é um brincalhão com toda a gente, mas que é muito reservado – como a personagem na televisão. A única coisa que o vi fazer no backstage do Survivor Series foi tirar fotografias com uma família que estava lá, não sei bem porquê. Também ouvi uma história sobre um Raw ou SmackDown qualquer onde o Orton estava à espera na posição de gorila [agachado] para ir para o combate, mesmo atrás da cortina. Nesta posição estão geralmente o Vince, o Triple H, o agente do combate, às vezes a Stephanie e um escritor ou dois se não tiverem nada para fazer. Pronto, o Orton estava à espera e vira as costas para toda a gente e começa a mijar no caixote do lixo. O Triple H vira-se e diz “Randy, que raio estás a fazer?!”, e ele encolhe os ombros e diz “Tenho sempre a urgência de mijar antes de ir lá para fora”.”

Em relação a Jinder Mahal:

“Bem, eu creio que ele foi chamado por causa do público indiano, embora a história com o Khali e o Ranjin Singh (que é o Dave Kapoor, escritor principal do Raw, falado ali atrás) tenha sido esquecida. Acho que daqueles tipos no qual o Vince viu alguma coisa. Lembro-me que nós recebíamos notas das reuniões com ele que eram como:

– O Vince, a partir de agora, quer que o Jinder só fale Punjabi.

Umas semanas depois, faria uma promo em inglês. Depois:

– O Vince diz que o Jinder deve falar sempre com sotaque indiano.

E isso não duraria muito tempo. Depois:

– O Jinder vai começar a usar o turbante ao dirigir-se para o ringue.

A última nota que me lembro dizia:

– O Vince quer que o Jinder coloque o turbante numa caixa de vidro antes do combate.

Todas estas ideias partem do Vince, por isso é seguro afirmar que ele viu qualquer coisa no JM. Talvez uma personagem heel anti-América.”

Em relação a outras estrelas:

Christian – é sabido que está a ficar velho e que o melhor é ser usado para pôr o talento mais jovem over, nesta altura da sua carreira. Ele tem reputação por se queixar quando sente que não está a ser usado convenientemente.

Curt Hawkins – é respeitado por ser bom naquilo que faz. É um bom jobber porque faz bons bumps e faz com que os outros pareçam bons.

Evan Bourne – era uma espécie de tópico delicado. Os escritores principais não nos diziam muito sobre o que estava a acontecer, até praticamente o púbico ter conhecimento que ele se lixou duas vezes. Muita gente se lixa duas vezes. Ele teve o azar de partir o tornozelo mesmo quando estava quase a retornar.

The Great Khali – quando o Mark Henry era o campeão mundial, havia uma altura onde era suposto brincar com o Khali, mas as lesões estragaram tudo e ele largou o título. Mas não me surpreenderia se o Khali recebesse outro push um dia destes.

Hunico – acho que foi num SmackDown que estava um número de heels no ringue a fazer uma promo. E, durante o intervalo, o Vince disse-lhes, via auscultadores, para dar o micro ao Hunico, só para ver como se safava sem aviso. O Hunico fez uma boa promo, do nada, e isso impressionou bastante o Vince. E acho que ele, a partir daí, caiu nas graças do patrão.

Jack Swagger – é complicado. Tenho a impressão que ninguém tinha muita fé nele no microfone, e, embora a sua personagem esteja obviamente estável e tenha passado a ter estatuto de jobber, na altura em que eu estava lá, o roster estava muito magro. Havia lesões e lesões e não haviam estrelas a surgir. Por isso, precisávamos de alguém na posição do Swagger – um tipo grande que parece um batalhador sério mas que pode ser derrotado para fazer outra pessoa parecer bem. E, como disse antes, o Vince não tinha qualquer intenção de dissolver a equipa dele com o Ziggler, por isso um turn para babyface não estava a ser contemplado. Uma história rápida: no episódio dos Muppets no Raw, depois de perder para o Santino, o Swagger deu um pontapé numa garrafa de vidro, frustrado. Passou a barricada e embateu numa miúda e no pai. A WWE levou-os ao backstage para observação e para pedir desculpa. Conheceram várias estrelas e o Swagger desculpou-se pessoalmente. O pai deixou o local bastante satisfeito com o profissionalismo da empresa. E um potencial processo foi evitado.

JTG – é um bom jobber e faz os outros parecerem bons. Mas lembro-me que arranjou problemas por ter agarrado no cabelo da Tamina numa promo no NXT. A WWE nem quer pensar em violência entre homens e mulheres.

Mark Henry – estava a fazer um óptimo trabalho e os ratings do SmackDown estavam em cima enquanto ele era campeão. Mas estava a trabalhar lesionado e, depois, lesionou-se ainda mais, ao ponto de eles terem de o fazer largar o título. Um dia, os escritores retornaram da reunião com o Vince e disseram, “Ora bem, o Daniel Bryan vai cobrar a sua oportunidade e ser campeão este domingo”.

The Miz – tenho a impressão que eles não sabiam o que fazer com ele na maioria das vezes. Não sei muito bem qual a situação neste momento. Talvez o Vince esteja chateado com ele. Tenho a certeza que os escritores não querem saber disso e não têm qualquer tipo de vingança em mente.

Sin Cara – acho que, no geral, pessoas como o Hunico são melhores do que o Sin Cara, porque o Hunico passou pela FCW e conhece bem o estilo da WWE. O Sin Cara, como já foi noticiado, teve bastantes problemas em adaptar-se ao estilo americano. E também era um pouco medricas, porque regularmente queixava-se do pescoço, do ombro ou qualquer coisa; havia sempre algo. Mas é um deus no México e, como a empresa começa a ir mais vezes ao México por ano, ter alguém sem ser ele a fazer de Sin Cara, permanentemente, seria péssimo. Acho que a WWE sente que ainda há muito dinheiro a fazer com o Sin Cara; porém, pessoalmente, sou um grande fã do Hunico.”

Sobre as feuds dentro da empresa:

“Não entre os wrestlers. Ouvi que o Cena e o Rock não eram propriamente fãs um do outro, mas eram profissionais sobre isso. Como disse antes, o Gewirtz não gosta muito do Paul Heryman por uma coisa qualquer entre eles. Também sei que as divas praticamente se odeiam a todas e que são muito picuinhas e competitivas porque o tempo na televisão é escasso. Não sei de mais nada.”

Em relação ao tratamento dado a Jim Ross por parte de Vince McMahon:

“Parece-me claro que o Vince tem algo contra o JR, mas ninguém sabe bem porquê. O Vince aproveita todas as oportunidades para envergonhar o JR na televisão, mas este leva sempre na desportiva. Lembro-me que ninguém queria falar com ele ao telefone porque, aparentemente, tens de ouvi-lo durante duas horas. Algumas pessoas crêem que o JR fazia melhor o trabalho do Laurinaitis do que o próprio.”

Sobre a reacção ao twitter de um suposto Vince McMahon:

“Sim, ouvi falar disso quando estava lá. Ríamo-nos bastante disso, porque o Vince consegue ser assim por vezes. Ele diz “GODDAMIT!” muitas vezes. Contudo, o consenso geral é que, provavelmente, é um antigo escritor da empresa, porque sabe muita acoisa que só gente dentro da empresa saberia, embora não corresponda ao que na realidade acontece. Portanto, acho que é um ex-escritor a tentar adivinhar.”

Relativamente a alguém que os responsáveis gostam, embora não esteja na televisão:

“Boa pergunta. De quem está na FCW, sei que há expectativas em relação aos irmãos Rotunda, bem como em relação ao Richie Steamboat. Um escritor é de Baltimore e dava-se bem com o Calvin Raines, daí puxar por ele [nota: foi despedido há uns tempos]. Acho que o Seth Rollins é olhado de lado por ser um queridinho da internet, mas nada de sério. O tipo de Baltimore também via TNA regularmente e dizia muitas vezes que gostava que a WWE inspecionasse por lá para contratações, especificamente o Bobby Roode e o James Storm.”

Sobre dark matches e house shows:

“Os agentes é que tratam disso. Normalmente, um deles tem a tarefa de tratar do booking e daquilo que acontece; depois, enviam os relatórios por e-mail depois de cada house show. Um dos meus favoritos – penso que era do Arn Anderson – dizia: “O Alex Riley foi para o seu combate, escorregou no turnbuckle ao interagir com o público, e isso foi a melhor parte do combate.” Os dark matches parece que estão reservados para os membros da FCW e os combates no Superstars, normalmente, são baseados em quem não é usado nessa noite, quer no Raw, quer no SmackDown.”

Se os escritores não gostam do formato de PPVs com gimmick:

“Tenho a certeza que alguns não gostam, mas está completamente fora do controlo deles. É uma decisão, digo eu, empresarial. Ao dar a cada PPV uma gimmick, está-se a tornar esse evento em algo especial e dá-te uma razão para comprá-lo, não é como os genéricos onde os buyrates podem variar imenso baseado nas histórias correntes. Eles, provavelmente, querem criar uma espécie de previsibilidade no seu modelo de negócio. Por exemplo, há expectativas bastante baixas para qualquer que seja o PPV de Dezembro, visto que as pessoas, após o Survivor Series, poupam dinheiro para as festas natalícias e para o Royal Rumble.”

Sobre a possibilidade dos Slammy Awards e das votações dos fãs serem manipuladas:

“As votações online e na televisão são 100% reais. Eles são muito honestos com isso. As votações são reais e aquela falha ou erro na contagem do sistema foi verdadeira. O guião só diz, imaginemos, “CHRISTIAN vs. [ESCOLHA DO PÚBLICO]”. Não é nada por aí além. Provavelmente, decidem na hora quem vence, ou já têm os finais preparados para cada possível adversário.”

Em relação a ideias que tenha tido que tiveram sucesso:

“As minhas responsabilidades não eram propriamente relacionadas com essa parte. Eu era encorajado a dizer de minha justiça em discussões ou reuniões da equipa, mas não escrevia nada. Na maior parte das vezes, eu era a cabra da equipa. Porém, houve duas coisas que surgiram na televisão e vieram de mim. Quando os Slammys estavam à porta, foi-nos pedido para sugerirmos nomes para os prémios. Fui eu quem deu a ideia para o “Game Changer of the Year”, e isso agradou a toda a gente e apareceu no ar.

Para a montagem da “Pipebomb of the Year”, foi-nos enviado um e-mail a perguntar pelas nossas citações favoritas do último ano, e algumas minhas entraram. A única que me lembro é do R-Truth: “THE GRITS ARE GON HIT THE PAN!”. Na minha última semana lá, sugeri a combinação das feuds Miz/Truth e Sheamus/Alguém para um combate de equipas. O Sheamus faria equipa com o Truth, algo que, que eu saiba, não tinha acontecido nem aconteceu desde então. Coisas pequenas, eu sei.”

Sobre ideias suas que desejava terem sido aprovadas:

“Provavelmente, passar o Miz ou o Swagger para babyface. Ou trazer o Brad Maddox da FCW. Sugeri uma ideia de um triângulo amoroso entre a AJ, o Ryder e eventualmente o “antigo namorado” da AJ, representado pelo Maddox. Isto foi muito antes da história que envolveu o Bryan.”

As suas melhores e piores recordações:

“A melhor foi, provavelmente, quando conheci o Vince no elevador. Ou alguns momentos do Survivor Series – ver por exemplo o Rock fazer a promo ao vivo. Estar no backstage com algumas estrelas a ver os combates na televisão grande. Por exemplo, houve uma altura em que a Stephanie me pediu para segurar no iPad dela enquanto estava agachada atrás da cortina. E, quando lhe dei de volta, deu-me um sorriso e agradeceu.

A pior, talvez, os momentos desconfortáveis em que recebia reprimendas pelo meu patrão, Brian Gewirtz. Ele é um génio, mas não é muito sociável.”

Se trabalhar lá diminiu o seu fanatismo:

“Não. Estava preocupado com isso antes de começar. Se seria capaz de desfrutar depois de ter lá estado. Bem pelo contrário. Enquanto trabalhei lá, gostava imenso de ver certas coisas passar do papel para a televisão, como as pessoas reagiam às histórias e isso. Agora que não estou lá, sempre que estão no backstage, procuro por pessoas que conheço ou tento imaginar como é que as histórias e as discussões surgem. Ou piadas que possam surgir. É divertido e deu-me uma nova apreciação pelo business.”

Sobre se tem alguma coisa desde esse tempo:

“Quando saí, eles ficaram com a minha identificação, o Blackberry e o computador portátil, por isso não tenho nada. A não ser DVDs e bonecos que toda a gente podia ter.”

Publicado em 29/05/2012, em Editorial. Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Muito interessante mesmo, deu ate mais vontade de trabalhar pra WWE,acho que o titio Vince ta ficando maluco, primeiro foi o lance que ele queria que o Kane tivesse um pênis de 1 metro agora essas maluquices, obrigado Triple H por “barrar” ele, apesar de todas as maluquices não podemos negar que ele é um gênio do mundo do Wrestling e parece ser muito simpático. Me surpreendi com o CM Punk e com o Orton . Queria ver esse segmento do Alberto, Punk e Ricardo Rodriguez. O Cena “O tipo é um cavalo de carga e um empregado-modelo” e a vadia da Liz quer levar 70% disso.
    Sempre soube onde tem muita mulher só podia ter confusão mesmo. Sempre achei que a relação (ou falta dela) do Cena e o Rock fosse boato. E Jim Ross é muito inteligente tem que ser GM do Raw e do SmackDown , não o otario do Laurinaitis.

    PS: Essa entrevista não era pra ser anônima ? Na primeira parte ele falou que não podia revela quem ele era e nessa segunda ele falou que “Eu apresentei-me estranhamente, ao dizer que também me chamava John” e “Eu escrevi “fã da WWE desde sempre” no meu currículo e levei uma fotografia minha, com 10 anos, vestido como o Kane.” Mas fodase essa matéria é do CARALHO.

  2. "The Celtic Warrior" Brunotaker

    Em relação ao tratamento dado a Jim Ross por parte de Vince McMahon:
    Isso ai que ele disse foi super verdade. Sempre o JR é humilhado de algum jeito, o que me deixa furioso, pois eu sou super fã dele.

  3. Gustavo Souza

    Não me surpreendi em saber que o The miz, John Cena e Sheamus são os que dão mais duro pela empresa. e a entrevista acabou ou tem mais ?

  4. Cara,essa entrevista foi ótima,me surpreendeu bastante a personalidade do Punk descrita pelo cara,ele sempre pareceu muito simpático e bom em falar e agora é dito que ele é anti-social…quanto a outras detalhes como o triple h,sempre achei que havia um exagero quanto a sua personalidade onde ele se colocava acima dos outros e como o entrevistado falou é injusto pois ele estar sempre pensando na empresa.Sobre os talentos é uma pena pois como ele disse os escritores tbm são fãs mas devido aos caminhos que cada superstar levou muitos talentos foram e são dispediçados,uma pena é ver a idéia do drew feudar com o sheamus não ter ocorrido…podia ter umas alterações mas seria espetacular ver isso

  5. Gostei pra caramba da entrevista, e acho que foi muito detalhada! Uma coisa que me impressionou, foi Punk anti-social e o Rollins sendo olhado de lado! O cara foi o primeiro triple crown da FCW de toda historia, eles transformaram ele no novo Jeff Hardy! Ja do Punk me surpreendeu um pouco mas não muito, pois se ve q ele é um pouco convencido…Mas até q o Orton(hoje).

  6. Ainda existe coisas escondidas que poucos sabem

  7. Só não entendi uma parte, lá vai :

    “o plano original era para fazer este e aquele a ganhar, mas uma mudança à última da hora mudou a situação”

    Como o cara diz isso, se no outro texto ele diz isso :

    “[…]De seguida, havia outra reunião com o Vince na arena de todos os espectáculos. E mais mudanças aconteciam. E depois há aquelas mudanças tão repentinas que nem sequer chegavam a ir para o papel[…]”

    Me expliquem ?

    • Mr. Brownstone

      Sempre que tem uma luta de lutador A x lutador B.. imagine que o B ganha.. os sites na internet noticiam: “plano original era que lutador A ganhasse, mas foi mudado de ultima hora”… e ele disse que esse tipo de coisa é mentira inventada na maioria das vezes.

      Ai segundo trecho que você citou ele explica que ocorrem varias mudanças de ultima hora certo? mas essas mudanças só eles sabem e não o pessoal de sites da internet que ficam noticiando coisas inventadas.

  8. BrunoCesar

    John Morrison é foda

    • Que mané “john morrison”
      Bruno cesar,john cena é o melhor,tá ligado ?
      Um dia o the miz vai limpar o chão com a cara do john morrison,esse é o
      Novo ditado,( que eu enventei né ?) kkkkkkkkk….
      Eu devia virar comediante quando eu crescer…Kkkkkkkkk :):d:p;) !!!… Por que vc não riu ???
      É engraçado ?!

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